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Os grandes desastres surpreendem-nos e questionam o que tomamos por normalidade, todos os dias. Em Moçambique foi a devastação provocada por fenómenos climáticos extremos que retira, às magras expetativas da população, condições de subsistência. A mobilização do apoio internacional suscitou respostas com escala para enfrentar os níveis de destruição e o Arcebispo da Beira pediu outra qualidade e ambição para a necessária reconstrução.

Também o nosso normal precisa de ser questionado. Apesar de em contexto europeu ser reconhecida, ao nosso País, alguma resiliência aos radicalismos que caracterizam estes tempos, não estamos imunes. A par de outas especificidades, a rede institucional de solidariedade social em Portugal tem feito a diferença. As IPSS e equiparadas estão, de facto, presentes em 70% das freguesias e, em 27% dos casos asseguram sozinhas, os equipamentos sociais aí disponíveis (ver CNIS http://www.solidariedade.pt/site/detalhe/13431 ). Segundo o mesmo estudo, a Segurança Social tem financiado apenas 40% da despesa nessas atividades, com base em Acordos de Cooperação com o Estado iniciados em 1996.

Ora a iniciativa particular, o pluralismo das instituições, e a sua articulação com a atuação do Estado são vantagens de que dispomos e que podem fazer a diferença para se conseguir ultrapassar os níveis de pobreza inaceitáveis que ainda temos, as barreiras económicas, sociais e geográficas à legítima expetativa de elevação social dos mais pobres, e o persistente e exclusivo desemprego jovem. Saibamos nós contribuir para o reforço e consistência destas instituições, com lucidez e iniciativa, e ter a arte de assegurar meios para o fazer de forma sustentada.

José Maria Sousa Rego
Presidente da Direção